A IMPORTÂNCIA DO PENSAR E AGIR PARA A ESCOLHA PROFISSIONAL por Michel Bezerra*

Dar a oportunidade para o indivíduo pensar por ele mesmo ainda não é um conselho habitual na escolha profissional, mas as pessoas começam a observar uma importante filosofia de vida, ultimamente, a de se ter um propósito. É muito comum rotular a pessoa que ainda não encontrou sua profissão, como uma pessoa “perdida na vida”. Alguns são “experts” em aconselhar a vida profissional daqueles que lhe são caros, no sentido de querer “ajudá-los”, e eu te pergunto: aconselhar é o mesmo que impor? E por que diante do dilema da escolha profissional, muitos agem com passividade e deixam de interpretar o mundo profissional sob a própria perspectiva?

 

A experiência de buscar o significado de tantas coisas, no outro, com certa objetividade, não pode ser dogmatizada. E não pode ser diferente na escolha profissional. Viver em comunidade é comungar com outras pessoas dos mesmos critérios que atribuem valores às coisas mundanas, mas não necessariamente os mesmos sentidos. Critérios que são organizadores das nossas construções, como humanos, vivendo em sociedade, tais como: jornais, revistas, cursos, interações sociais, vivências, amizades, família, entre outros, acabam por influenciar nossos pensamentos. Mas encarar essas influências de frente, sem o critério da identidade, parte da incapacidade, momentânea, de não significar sua escolha. E um dos motivos disso, dentre outros? A falta de reflexão!

 

Às vezes querendo agraciar aquele que você ouve, levado pelo pensamento de impotência da escolha profissional, você oculta o pensar e agir da sua própria escuta. Parece que se discutem formas de ser e não sentidos de ser. O que converge na vida profissional de “A”, não necessariamente converge na vida profissional de “B”, mas este é influenciado por aquele, e você acaba partindo do pressuposto que está diante de uma verdade única. Quando o seu pensamento não é exteriorizado ele é renunciado, e se transforma em discurso “político” para apenas passear no mundo, e não sentir o mundo. Assim, sua preferência passa a ser social e não pessoal, no sentido de não dar legitimidade ao que você pensa, por não agir conforme suas convicções internas. A produção de efeito da escolha profissional então é de outrem e não própria, gerando reações satisfatórias naquele que te influencia, mas incongruências na pessoa que acaba exercendo um trabalho “alheio”.

 

Novas formas de pensar devem atribuir significados e valor para a sua escolha profissional com o objetivo de dar legitimidade à sua voz interior. Essa condição pessoal do pensar é indissociável, ou seja, só faz sentido em função das suas condições reflexivas. E isso tem que partir da pretensão da sua voz interior. Esses conflitos que podem surgir em razão da “voz do mundo” versus sua “voz interna” vão gerar diversidades de significados, mas também criar perspectivas que acabam por culminar no triunfo de uma voz sobre a outra, e quando a escolha profissional é por sentido, você acaba dialogando com a sua voz interior, e escolhendo o que realmente te encanta e não o que te faz, apenas, ser influenciado.

 

Não defender a sua autonomia de escolher a profissão é deixar de entender o que você sente, para tentar entender o que o outro sente no seu lugar. No mundo busca-se o desejo, porque o corpo cobra o sentimento de prazer. Isso faz parte do ser humano e no trabalho não é diferente! Considerar que o que passa no pensamento alheio pode não ter nada a ver com o que move você, com o que você sente e sustenta, internamente, abre um novo leque de opções, geradas por suas reflexões, no campo profissional. E essa consideração pode levá-lo à assertividade da sua escolha.

 

Portanto, defender suas ideias pode lhe permitir viver de acordo com seu propósito e ser a causa da sua própria alegria, no sentido de trabalhar com o que você gosta. Essa é a pretensão do homem lúcido, consciente, criando condições necessárias para sustentar seus pensamentos, afetos, sensibilidades e ações controláveis diante da escolha profissional. Fazer do seu pensamento uma manifestação de vontade é uma necessidade que cria possibilidades de êxito laboral. Mas para que isso ocorra, reitero, é necessário ter foco diante dos seus propósitos, ter sensibilidade para escutar seus pensamentos e força para agir diante da escolha reluzente que lhe faz vê sentido num determinado trabalho.

 

Para educar seus sentimentos, é necessário colocar limites, visando preservar o seu pensamento e interesse nessa escolha. Sócrates dizia que a vida bem vivida é, necessariamente, a vida bem pensada. Os grandes baluartes e as virtudes da vida para se alcançar a felicidade profissional vêm da necessidade de se viver plenamente. Não adianta pensar bem sobre as coisas e não saber viver de acordo com o seu pensamento. Viver de acordo com o que se pensa requer renúncia da posição dos seus porta-vozes, a fim de ressignificar suas escolhas.

 

O prestígio de uma ideia só entra no seu mundo quando se define a ação num determinado lugar, ou seja, é necessário refletir sobre sua escolha profissional para colocar em prática uma profissão que faça sentido para você. Isso parece óbvio! Logo, a relação poderosa no campo da produção do autoconhecimento quem detém é você. Toda construção de um autoconhecimento pressupõe uma revolução interna no sentido de encontrar cada pensador. Eis a razão da importância de se pensar para agir diante de uma escolha profissional. E essa escolha, de quem é? É sua ou não é?

 

Boa escolha!

Publicado originalmente em: https://www.michelbezerra.com.br/blog

*Michel Bezerra é orientador capacitado pelo Portal Vocacional, para mais informações acesse o link de cadastro: https://www.michelbezerra.com.br/sobre